domingo, 29 de novembro de 2009

A caçamba do CONTARDO CALLIGARIS



Esta é uma das inúmeras caçambas que já saíram do apartamento que o psicanalista, escritor e dramaturgo Contado Calligaris está reformando no centro de São Paulo. Pela quantidade de entulho que a reforma produziu, parece que o "Homem da Tarja Preta" vai morar num autIêntico Walter Gropius.
Mas dizem que ser vizinho de tão distinto cavalheiro não consola quem acorda mais cedo ouvindo a sinfonia dos pedreiros.
A seguir reproduzo um texto em que o autor, sempre preciso, fala de reformas, caçambas, Gropius e outros bichos.

PS: Se alguém tiver o texto da Ana Verônica ao qual ele se refere, me envie por favor.

FOLHA DE SAO PAULO 24 DE AGOSTO DE 2006 - CONTARDO CALLIGARIS

O espírito das casas
O espaço no qual circulamos é um dos grandes protagonistas de nossas vidas

NUMA MESMA tarde, assisti (com prazer) a duas estréias da sexta passada: uma história de horror, "Almas Reencarnadas", de Takashi Shimizu, e uma história de amor, "A Casa do Lago", de Alejandro Agresti. Os dois filmes têm em comum um clima sobrenatural. No primeiro, um diretor de cinema filma a história de uma série de assassinatos que aconteceram num hotel 35 anos antes; com isso, o passado se desperta. No segundo, um homem e uma mulher se correspondem e se amam: eles estão vivendo em épocas diferentes (ele, em 2004; e ela, em 2006), mas na mesma casa. Interessei-me pelos filmes porque gosto daquela tradição narrativa na qual o espaço concreto, em que os personagens vivem e circulam, é por sua vez uma personagem importante da história. No primeiro filme, o hotel (ou sua reconstrução no estúdio) parece impor a repetição do passado. No segundo, a casa do lago, na qual, em épocas diferentes, ambos os protagonistas escolhem viver, é a ponte entre eles, o lugar onde se abre uma brecha no tempo. Em geral, subestimamos o espaço concreto no qual vivemos. Não acreditamos que sentimentos, afetos e relações dependam também do cenário concreto de nossa vida. Ora, os militantes do espírito new age adotaram a arte do feng shui para corrigir as energias negativas de casas e escritórios. Mas não é preciso disso para entender que o espaço no qual moramos nos determina e nos expressa. Que seja ou não escolhido por nós, ele diz qual é a convivência com os outros que desejamos ou que nos permitimos: banalmente, o tipo de mesa (não só seu tamanho) diz se queremos jantar em companhia ou cada um no seu canto, a disposição do sofá diz se preferimos conversar com os amigos ou parar na frente da televisão, e por aí vai. O mesmo vale para o espaço urbano: temos a vida pública que nossas cidades nos impõem. Quando, numa mudança, estamos apostando no futuro, sonhamos com uma casa e uma decoração desenhadas pelo próprio Walter Gropius, modernistas, limpas, funcionais, despojadas. Tempo atrás, Ana Verônica Mautner, numa crônica do caderno Equilíbrio, da Folha, comentou a proliferação de caçambas pelas ruas de São Paulo: reformamos custosamente até os apartamentos que alugamos porque queremos fazer tábula rasa na hora de mudar de casa, queremos evitar que nossos novos caminhos sigam as passagens que foram desenhadas no chão pelos hábitos de quem lá morou antes da gente. Uma vez instalados, esvaziamos as caixas de nosso passado e nos tornamos, aos poucos, Biedermeier e kitsch, enchendo o espaço de móveis que limitam as potencialidades da casa e de lembranças que nos forçam a continuar sendo quem sempre fomos (a foto do casamento dos avós, a coleção de pedras que nosso filho juntou no primário, um quadro horrendo que compramos na lua-de-mel). Um bom arquiteto ou decorador, ao visitar nossos aposentos, deveria poder descobrir as grandes linhas de nossa vida relacional: talvez ele pudesse até enxergar, atrás da vida que temos, a vida que desejaríamos ter. Aviso: se seu parceiro ou sua parceira muda de repente a disposição dos móveis de casa, não é apenas de estética que se trata. Nas minhas gavetas tenho alguns romances inacabados. Um deles é a história de alguém que compra uma casa cujos antigos donos saíram fugindo, sem nem fazer as malas. O comprador deixa tudo assim como está (a roupa espalhada, a forma oca dos corpos nas camas desfeitas, os pratos do almoço interrompido etc.) e se dedica a adivinhar cada detalhe da existência de seus predecessores. Claro, comecei esse romance logo após a morte de meus pais. Isso me leva de volta ao clima comum aos dois filmes: não sou muito fã do sobrenatural, mas confesso o seguinte. Numa casa que já abandonei, em Brookline (EUA), eu tinha construído um quarto-biblioteca que evocava, descobri depois, a biblioteca da casa de minha infância. Um dia, Maria, a jovem mulher que nos ajudava a cuidar da casa (e que dizia ser dotada de poderes mediúnicos), anunciou: "Doutor, seu pai está na biblioteca". "Meu pai está morto", respondi. Fui com ela até a biblioteca. "Ele está lá, sentado", apontou Maria. Eu não via nada e não acredito em espíritos, mas perguntei, sem brincadeira nenhuma: "Poderia falar com ele?". Maria: "Não, mas lhe garanto que ele está sorrindo, feliz".

domingo, 7 de junho de 2009

Entrevista sobre as Fonte Entulho


- Assista parte da entrevista concedida ao blog Jornal em Pauta editado por estudantes de jornalismo da Faculdade Metodista de São Paulo em março de 2009.

http://jornal-em-pauta.blogspot.com/

sábado, 20 de dezembro de 2008







quarta-feira, 19 de novembro de 2008


domingo, 28 de setembro de 2008

Deixar as partes internas bem unidas facilita o trabalho dos pintores e cria distorções que tornam fontes corriqueiras algo especial.

Tipografia é território das sutilezas, ainda que sobre aço.


Letrinhas peludas me lembram que preciso fazer a barba...

Letrinhas em treino com bola.

Divino maravilhoso!

sábado, 27 de setembro de 2008







Uma mesma caçamba pode render diversos detalhes interessantes que passam despercebidos no caos da cidade.



Entulho Forró é a primeira das fontes que criei a partir da pesquisa sobre as caçambas e foi feita para a capa do CD Dia de Roda da banda Forro In The Dark.
Os excessivos recortes imitam a técnica usada pelos pintores de caçambas e resultam uma textura interessante. Os cantos são arredondados pelo possível borrão do spray.
Foram desenhados dois corpos para a capa do CD e cada um deles tem detalhes diferentes pois a largura dos recortes é igual.
Prometo que um dia vou criar os demais caracteres e digitalizá-los.

A capa do CD pode ser vista mais abaixo, numa postagem anterior.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Navalha na carne!

Quem não se conect@ se trumbic@.



Caçambas Yara têm um repertório bastante interessante.
Atenção para o "gov" e o G com rabinho de gato.
Para provar que observação de caçambas pode ser um safari tipográfico, mostro as contribuições do Sr Manolito.


Mande também as suas. Afinal, se entulho é um problema mundial você também deve ter as suas caçambas.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Riscos de extinção.
Uma girafa perdida no Largo do Arouche.

domingo, 13 de julho de 2008



Eu fiz as fontes para a capa deste CD a partir da pesquisa com as caçambas.
Forro in The Dark é uma banda de música brasileira sediada em Nova York.
A ilustração feita com terra é de Celaine Refosco.
O som está fazendo muito sucesso, ouçam: www.forrointhedark.com

Este cartaz eu criei para o concurso do Museu da Casa Brasileira.
É um alerta para que os designers se preocupem também com o fim dos objetos.
Afinal, um dia tudo vira entulho., até as melhores idéias.

Espero que o pessoal do Museu tenha jogado minha proposta de cartaz no lixo reciclável, já que o júri não gostou. kkk












A Times New Roman ficou muito mais New assim.
Totalmente tipografia experimental de vanguarda.
Algo me diz que os Ss estão de cabeça para baixo...
Onde andará David Carson?


Estas eu encontrei no Pacaembu.
Bairro nobre merece fontes mais chiques, né?
Então pode-se notar um certo toque de Art Déco.
Os noves da Leão são pérolas!

Algumas informações são vazadas no metal ou então escritas com solda.
Esta técnica dificulta que sejam apagadas em caso de roubo ou que sucessivas pinturas cubram o RG da peça.



Sobreposição de "camadas de informação"




Estas letras são particularmente incríveis.
Encontrei na praça Benedito Calixto, junto às mais descoladas lojas de decoração da cidade.
Então está tudo contextualizado.

A lei obriga a escrever mas, para nossa sorte, não obriga a ler. kkk

sábado, 12 de julho de 2008



Deveria estar escrito LIMPURB mas algo fugiu ao controle.
Ficou bom também.


Os nomes das "firmas" são bem legais!
Lelé Jr., Transdequinha, Formiga Disk Entulho, Chamou Chegou etc.
Simpatia é importante. Afinal, simpatia é quase amor.

Design italiano de primeira!
O reflexo do flash é prova de que fotografar caçambas é um ótimo programa noturno.
Já que a noite paulistana está meio fraca com a Lei Seca.






W W W assume formas variadas, algumas além dos limites da legibilidade



















Os números merecem atenção especial.

Os oitos geram soluções criativas porque é necessário manter as partes internas unidas.


O zero com uma cruz no centro é dramático!



O A esta gravido de um Azinho.
Que meigo.

Estavam em frente à Galeria Vermelho.
Poderiam estar do lado de dentro.
Afinal, assim como a arte contemporânea, dizem muito sobre o tempo em que vivemos.

Fazer a sombra em azul deve ter dado um trabalho... Mas ficou muito chique!
Esta cacamba estava no Museu da Casa Brasileira.
Do lado de fora, naturalmente. Ela conhece o seu lugar.


Letrinhas divertidas



E como se nao bastasse vem um cara e pixa em cima...



Arial é uma fonte que pode se beneficiar de um redesenho.
Ficaria bem assim?